OEE - Está na hora de investir em um novo equipamento?

O cliente está aumentando os seus pedidos e a fábrica está fazendo muitas horas extras para conseguir fazer as entregas, este é o tipo de "problema" que todo gerente / supervisor de produção gostaria de ter que lidar. Porém, mesmo parecendo ser um problema bom, ainda assim é um problema e como tal exige uma análise de causa. O primeiro ponto a investigar é se esta falta de capacidade se deve a demanda maior que a capacidade instalada, o que pode justificar um CAPEx, ou se é falta de desempenho na capacidade real.


Quem poderá nos dizer com clareza qual é o caso? Qual indicador ou indicadores podem nos mostrar isso?


Se você pensou eu não sei, mas provavelmente os japoneses já pensaram nisso, acertou! Os japoneses do Japan Institute of Plant Maintenance (JIPM) desenvolveram um indicador chamado de OEE “Overall Equipament Effectivences” (Eficiência Global do Equipamento).


O OEE é um índice percentual que mede o quanto estamos aproveitando do equipamento no momento em que programamos ele para produzir. Este índice é formado através da análise do desempenho do equipamento perante a existências dos 3 principais tipos de perdas que temos em todos os processos produtivos - Disponibilidade, Eficiência e Qualidade.


Disponibilidade

As primeiras perdas que identificamos estão relacionadas ao equipamento / processo estar parado, ou seja, toda vez que não estamos produzindo e de acordo com a programação, deveríamos estar, se trata de perda na disponibilidade do equipamento. Esta é a perda mais fácil de se identificar, pois basta avaliar se o processo está trabalhando ou parado. Exemplos de perdas de disponibilidade: Set-up, Manutenção Corretiva, Ajustes, dentre outros.


Eficiência

O segundo nível de perdas se trata da velocidade de trabalho, toda vez que o ritmo do equipamento / processo está menor do que o tempo padrão (velocidade máxima possível). No geral estas perdas são um pouco mais difíceis de serem notadas, por serem pequenas ou micro paradas, sua presença só é notada após algum tempo de trabalho, pois percebemos que o processo produziu menos peças do que deveria, mesmo não tendo parado nem mesmo por 1 minuto.

Exemplo: Operador cumprimenta o gerente ao passar ao lado da máquina, Uma corrente desgastada que faz com o velocidade da máquina seja um pouco menor, O operador batendo ar comprimido na placa do torno entre uma peça e outra, dentre outros.


Qualidade

O terceiro e último tipo de perda se trata da produção de produtos não conformes, que pode ser algo totalmente ruim, e neste caso tratado como sucata (peça a ser descartada) ou pode ser algo passível de ser recuperado através de uma ação de retrabalho. No geral o índice é mais como ser analisado em formato de peça, do que em questão de tempo, porém as duas analises são corretas. Exemplo: Tonalidade da peça fora do especificado, Altura da peça menor que o especificado, Largura da peça maior que o especificado, dentre outro.



Pelos estudos feito pelo JIPM, um índice classe mundial para o OEE seria 85%, para isto a Disponibilidade deve ser 90%, a Eficiência 95% e a Qualidade 99%. Respondendo a pergunta inicial desse post sobre o investimento ser a única saída para a empresa, isso só será verdadeiro se o índice de OEE for classe mundial, caso contrario a empresa deve identificar os estão as maiores perdas e aplicar ferramentas especificas para combater estes desperdícios.


Então quer dizer que se o OEE do meu equipamento está no nível classe mundial devo recomendar o investimento em aumento de capacidade para a diretoria? Calma antes de fazer isso, você deve entender se a diferença de demanda perante a capacidade justifica isso, olhando para o futuro, a tendência é o cliente absorver esse seu incremento de capacidade? se a resposta for sim! o Capex pode ser a saída.

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